terça-feira, 21 de abril de 2009

Vê se vira o disco e adivinhe o que é o que é


Por Priscilla Rios
Molha a boca e queima como pimenta
Pinica o corpo como carrapicho
Incomoda como etiqueta de camiseta
Aborrece como pedrinha no sapato
Arde os olhos como cebola nova
Desnorteia como bússola quebrada
Dói como bolhas nos pés

...

E como as frases acima, nunca têm um ponto final. Você pode ter 15 ou 55, é organicamente impossível evitar. O cérebro perde o filtro e palavras torpes e doloridas são balbuciadas sem efeito. Satirizadas. Ridicularizadas. Reduzidas a alucinações disformes. Delírios sem alvo. Desmorona utopias e sonhos arquitetonicamente perfeitos. Geograficamente, é como em um terremoto, dura alguns segundos mas parece eternidade. Teoricamente, acontece quando as placas tectônicas da confiança mudam de lugar e uma cratera se abre sob nossos pés.
Na prática, você grita, esperneia, exemplifica com mágoas passadas, diz que vai fazer o mesmo, transpira ironia, faz bico, dá de ombros, franze a testa, finge que não está nem aí e escolhe com precisão palavras de perder o prumo. Tateia no escuro algo confiável, quando desconfia até da sua própria sombra. Gramaticamente é regra: somente nesses casos ciúmes e sem chão viram sinônimos.

Matemática


Por Priscilla Rios
Há uma linha tênue entre querer MUITO alguma coisa e querer ESTUPIDAMENTE alguma coisa.
Quando a gente quer MUITO uma coisa ela parece acontecer mais rápido seja pelo modo racional como agimos, seja pela confiança que inspiramos.
Quando a gente quer ESTUPIDAMENTE uma coisa não existe regras, segurança, confiança, não existe o racional. Como bicho a gente simplesmente quer e faz qualquer coisa por aquilo, nem pensa nas conseqüências. É praticamente a vilã da novela.
E claro, ESTUPIDAMENTE a gente quebra a cara quando vê quanta coisa destruiu só para conseguir uma coisa (é, o lucro passou longe). É pura matemática... pena que isso não seja o meu forte.