
Por Priscilla Rios
Escancara o guardaroupa sem hífen e com as roupas batidas de sempre e não acha nada. Corre de um lado pro outro tentando conectar calças, blusas, meias e penteados. Pensa em quem vai estar lá. Quem não vai. Se está chique demais ou de menos. Para de frente, de lado e de costas pro espelho. Daí nota aquela gordurinha localizada. Murcha a barriga na hora. Lembra da academia que prometeu começar 1 século e meio atrás. Totalmente contrariada com a barriga, troca de roupa... pela terceira vez. Daí também tem que trocar o sapato. Tudo era tão mais fácil quando a mãe nos vestia com conjuntinhos. Tem que pensar nos acessórios. Nada combina. A dúvida que não quer calar: troca de roupa pra usar um acessório que combina ou vai pelada usando apenas aquela pulseira baiana que comprou há décadas e nunca achou nem roupa nem oportunidade decente? Prende o cabelo, passa batom + blush. Tudo ao som de sonoras reclamações do tipo: estamos atrasados + olha a hora + to te esperando no carro. No caminho de pegar a bolsa dá mais uma olhadinha no espelho. Esqueceu o brinco, o cabelo preso ficou estranho e a bolsa não combina. Procura outra bolsa (rápido!). Tira tudo de dentro de uma e põe na outra o mais rápido que pode. Agora a sinfonia tem melodia: a buzina do carro. Fecha a bolsa correndo, se livra da presilha no caminho, deixa cair a tarraxinha do brinco na pressa (leia-se: lei de Murphy). Agacha-se pra pegar a tarraxinha e lá vem mais buzina. Pensa: “@pUtZ#... agora vai assim mesmo”. Entra no carro sem olhar pra trás. Sem brinco, sem tarraxa, sem chave, sem celular... com uma mão na frente e outra atrás, só com a roupa do corpo.



