quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tribute to the artist Jing Wei


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dia de confete

Por Priscilla Rios

Tem dias em que eu devia era ficar dormindo. Nem levantar da cama. É aquele dia em que você se sente um lixo, incapaz de conquistar suas metas mais simples. Começa a se perguntar se está no caminho certo; se depois de batalhar por anos a fio pelo que quer (aliás, se é mesmo o que quer..), se vai valer a pena. Nesses dias de desânimo, baixa estima e auto-piedade até o bom humor e o empreendedorismo das pessoas irrita. Só o que eu preciso para voltar a enxergar as cores das minhas ambições é confete. Ser elogiada, ser mimada, requisitada. Coisa de quem precisa ser lembrada de sua importância intergaláctica para a sobrevivência do planeta. E ainda que esses mimos sejam pura ilusão, me fazem acordar heroína no dia seguinte. Capaz de reescrever vários finais felizes para a minha história. É justamente para momentos assim que pintaram e bordaram o ditado: nada como um dia após o outro....

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A implosão de uma ideologia O MURO DE BER£IM

Foto: FCunha

Por Priscilla Rios

Estamos na semana em que o mundo enche as canecas para brindar a queda de 1378 km de comunismo na Alemanha. Naquela época a Berlim oriental ditava ordens e atrasava o globo. Fiquei impressionada ao ler na reportagem de Diogo Schelp que as ordens fardadas valiam até para o relógio biológico das crianças. Elas tinham que ir ao banheiro, todas, ao mesmo tempo. E se a noção de humanismo era torpe, a sua vizinha, a economia, não andava lá essas coisas e também era meio cega e surda.

Só nos tempos de RDA (República Democrática da Alemanha - leia-se comunismo) um carro velho valia mais que o recém saído da fábrica da mesma marca. E os compradores como que ansiando um visto para a liberdade, esperavam 15 anos na fila para finalmente estacionar o possante na garagem (eu me pergunto de que adiantava ter um possante, se nem podia cruzar os limites do muro?). E se estragasse uma peça do carango daí só na próxima encarnação pra vê-la chegar. Mas claro que esse era o menor dos problemas em terras esquerdistas.

Hoje, lendo a reportagem percebo que as cicatrizes no chão de Berlim (como bem observou Schelp) apontando para onde seguia o muro, são feridas concretadas pelo tempo. O frescor das novas gerações não carregam mais o peso do muro nas costas nem a divisão ideológica do muro na consciência.

O muro só não foi amputado dos programas humorísticos, insistentes no estereótipo de que a mi$éria oriental ainda engorda ao lado e divide planos, curvas e superfícies com a rica Berlim do ocidente.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um perrengue só


Por Priscilla Rios

Mulher quando quer uma coisa, ela QUER. Fecha a cara, bate o pé, vira o ‘mimo’ do avesso. Faz o difícil parecer mais fácil só pra mostrar para os amigos.

Mulher quando não quer, NÃO QUER. Complica o simples, dá nó em gota da água, embaralha o pensamento.

Mas quando pinta dúvida e ela já não sabe se vai ou se fica, se quer ou se não quer, daí sim empaca o andar da carruagem. Tudo simplesmente não sai do lugar. E até que se decida pelo sim pelo não, empilha queixas nas prateleiras, joga a culpa no marido, no namorado, nas amigas e em quem mais estiver por perto. Amassa desculpas na mochila, fazendo tipo de quem vai embora. Deixa crescer na cabeça fiapos de esperança e pontinhas de inveja de quem já tomou a decisão. Como quem se apronta pra sair feito “porra loca” no mundo, veste teorias ensandecidas e abotoa dores de cotovelo. Vive um período “past perfect”: “ai se eu tivesse feito isso, ai se eu tivesse feito aquilo”. E nessa mesma terra roxa onde as ideias brotam, chora o leite derramado.

domingo, 18 de outubro de 2009

Un petit morceau de paradis....



por Priscilla Rios
Ai ai a França.... com seu savoir fair, seus chateux belíssimos, seu cheirinho de plenitude e eternidade. Ruas inteiras de história, salpicadas com o sentimento outonal das folhas marrons que cobrem as calçadas, tão bucólica quanto suas árvores com caules desenhados.

Em Paris, a village tem um perfume diferente de qualquer outro lugar do mundo, os prédios seculares cheiram a bibliotecas, e as bibliotecas históricas cheiram a templos, e os templos ainda guardam em seus portais secretos uma singularidade histórica cheia de excitação. Lá nos sentimos personagem dos livros de História, testemunha ocular do Iluminismo, a apenas alguns passinhos de Voltaire no Pantheón.

Voilá a terra dos bonvivants, dos queijos, vinhos e baguetes, do crepe, da moda, do parfum, das relíquias, das estátuas esculturais, dos singelos passeios de bicicleta e de entonadas declarações de amor. Trop charmant.

Mesmo o tempo que nada perdoa, só agrega a Paris.