quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Wishes 2010


Por Priscilla Rios

Se eu pudesse resolveria o meu mundinho...

Casaria os meus melhores amigos uns com os outros. Daria-lhes filhos na mesma época em que tivesse os meus só para crescerem amigos. Moraríamos todos na mesma rua, para poder pedir o açúcar emprestado sem cerimônia e saber que a casa está bem cuidada nos períodos de viagens rsrsrsrsrs. Nos encontraríamos com mais frequência ao longo do ano e faríamos planos de viagens que sairiam do papel de uma vez por todas!! Reencontraria o povo da infância pelo menos 1 vez por ano para pôr as fofocas em dia. Comeria comida japonesa duas vezes ao mês, peixe em casa duas vezes na semana (talvez três), sairia para jantar fora com mais frequência (ouvindo bossa ao vivo), iria ao cinema semanalmente (coisa de cinéfila), veria meus pais pelo menos uma horinha todos os dias (nada de cortar o cordão umbilical), comeria mais brigadeiro na panela, colocaria o pé na estrada e a cara no mundo duas vezes por ano e enfim, andaria sem medo no escuro.

Tribute to the artist Jing Wei


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dia de confete

Por Priscilla Rios

Tem dias em que eu devia era ficar dormindo. Nem levantar da cama. É aquele dia em que você se sente um lixo, incapaz de conquistar suas metas mais simples. Começa a se perguntar se está no caminho certo; se depois de batalhar por anos a fio pelo que quer (aliás, se é mesmo o que quer..), se vai valer a pena. Nesses dias de desânimo, baixa estima e auto-piedade até o bom humor e o empreendedorismo das pessoas irrita. Só o que eu preciso para voltar a enxergar as cores das minhas ambições é confete. Ser elogiada, ser mimada, requisitada. Coisa de quem precisa ser lembrada de sua importância intergaláctica para a sobrevivência do planeta. E ainda que esses mimos sejam pura ilusão, me fazem acordar heroína no dia seguinte. Capaz de reescrever vários finais felizes para a minha história. É justamente para momentos assim que pintaram e bordaram o ditado: nada como um dia após o outro....

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A implosão de uma ideologia O MURO DE BER£IM

Foto: FCunha

Por Priscilla Rios

Estamos na semana em que o mundo enche as canecas para brindar a queda de 1378 km de comunismo na Alemanha. Naquela época a Berlim oriental ditava ordens e atrasava o globo. Fiquei impressionada ao ler na reportagem de Diogo Schelp que as ordens fardadas valiam até para o relógio biológico das crianças. Elas tinham que ir ao banheiro, todas, ao mesmo tempo. E se a noção de humanismo era torpe, a sua vizinha, a economia, não andava lá essas coisas e também era meio cega e surda.

Só nos tempos de RDA (República Democrática da Alemanha - leia-se comunismo) um carro velho valia mais que o recém saído da fábrica da mesma marca. E os compradores como que ansiando um visto para a liberdade, esperavam 15 anos na fila para finalmente estacionar o possante na garagem (eu me pergunto de que adiantava ter um possante, se nem podia cruzar os limites do muro?). E se estragasse uma peça do carango daí só na próxima encarnação pra vê-la chegar. Mas claro que esse era o menor dos problemas em terras esquerdistas.

Hoje, lendo a reportagem percebo que as cicatrizes no chão de Berlim (como bem observou Schelp) apontando para onde seguia o muro, são feridas concretadas pelo tempo. O frescor das novas gerações não carregam mais o peso do muro nas costas nem a divisão ideológica do muro na consciência.

O muro só não foi amputado dos programas humorísticos, insistentes no estereótipo de que a mi$éria oriental ainda engorda ao lado e divide planos, curvas e superfícies com a rica Berlim do ocidente.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um perrengue só


Por Priscilla Rios

Mulher quando quer uma coisa, ela QUER. Fecha a cara, bate o pé, vira o ‘mimo’ do avesso. Faz o difícil parecer mais fácil só pra mostrar para os amigos.

Mulher quando não quer, NÃO QUER. Complica o simples, dá nó em gota da água, embaralha o pensamento.

Mas quando pinta dúvida e ela já não sabe se vai ou se fica, se quer ou se não quer, daí sim empaca o andar da carruagem. Tudo simplesmente não sai do lugar. E até que se decida pelo sim pelo não, empilha queixas nas prateleiras, joga a culpa no marido, no namorado, nas amigas e em quem mais estiver por perto. Amassa desculpas na mochila, fazendo tipo de quem vai embora. Deixa crescer na cabeça fiapos de esperança e pontinhas de inveja de quem já tomou a decisão. Como quem se apronta pra sair feito “porra loca” no mundo, veste teorias ensandecidas e abotoa dores de cotovelo. Vive um período “past perfect”: “ai se eu tivesse feito isso, ai se eu tivesse feito aquilo”. E nessa mesma terra roxa onde as ideias brotam, chora o leite derramado.