terça-feira, 21 de abril de 2009

Vê se vira o disco e adivinhe o que é o que é


Por Priscilla Rios
Molha a boca e queima como pimenta
Pinica o corpo como carrapicho
Incomoda como etiqueta de camiseta
Aborrece como pedrinha no sapato
Arde os olhos como cebola nova
Desnorteia como bússola quebrada
Dói como bolhas nos pés

...

E como as frases acima, nunca têm um ponto final. Você pode ter 15 ou 55, é organicamente impossível evitar. O cérebro perde o filtro e palavras torpes e doloridas são balbuciadas sem efeito. Satirizadas. Ridicularizadas. Reduzidas a alucinações disformes. Delírios sem alvo. Desmorona utopias e sonhos arquitetonicamente perfeitos. Geograficamente, é como em um terremoto, dura alguns segundos mas parece eternidade. Teoricamente, acontece quando as placas tectônicas da confiança mudam de lugar e uma cratera se abre sob nossos pés.
Na prática, você grita, esperneia, exemplifica com mágoas passadas, diz que vai fazer o mesmo, transpira ironia, faz bico, dá de ombros, franze a testa, finge que não está nem aí e escolhe com precisão palavras de perder o prumo. Tateia no escuro algo confiável, quando desconfia até da sua própria sombra. Gramaticamente é regra: somente nesses casos ciúmes e sem chão viram sinônimos.

Matemática


Por Priscilla Rios
Há uma linha tênue entre querer MUITO alguma coisa e querer ESTUPIDAMENTE alguma coisa.
Quando a gente quer MUITO uma coisa ela parece acontecer mais rápido seja pelo modo racional como agimos, seja pela confiança que inspiramos.
Quando a gente quer ESTUPIDAMENTE uma coisa não existe regras, segurança, confiança, não existe o racional. Como bicho a gente simplesmente quer e faz qualquer coisa por aquilo, nem pensa nas conseqüências. É praticamente a vilã da novela.
E claro, ESTUPIDAMENTE a gente quebra a cara quando vê quanta coisa destruiu só para conseguir uma coisa (é, o lucro passou longe). É pura matemática... pena que isso não seja o meu forte.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tudo o que sobe um dia desce na nossa cabeça


Por Priscilla Rios

As mulheres têm uma fase que consiste em jogar tudo pro alto. Quando apaixonadas elas são capazes de se jogarem de cabeça em um relacionamento e, claro, jogar tudo pra cima por aquela pessoa: a casa, a cidade onde mora, a profissão e algumas sacrificam até a família e amigos.
Depois que a paixão ganha consistência e solidifica com o dia-a-dia, a convivência atrai discussões bobas e cíclicas, aquelas que a gente sabe que não nos leva a nada... então quando começa a ficar cansativo e os argumentos repetitivos, a gente desenterra coisas antigas e dá um novo vigor à discussão com acontecimentos empoeirados. Aí entra aquela famosa frase: “e aquela vez que você fez isso, isso e isso..............”. A gente nem lembra mais ONDE nem QUANDO, afinal já faz tanto tempo que os fatos estão embaralhados na cabeça, mas o que importa é que ficou aquele incômodo engasgado, aquela mágoa pontiaguda. Aí até a constituição entra no meio da história, com clichês convincentes como “direitos iguais”. Pra dramatizar um pouco mais, a gente preenche as brechas da história (que não lembramos no calor do momento) com uma interpretação séria e compenetrada, cheia de caras e bocas.
E aí vem o momento culminante da cena, mais uma vez é hora de jogar tudo pra cima: “se você quiser a gente TERMINA AGORA”. Essa chantagem na maioria das brigas quase nunca é levada a sério, mas um dia cansa e a outra parte indignada com a sua facilidade de rasgar o passado resolve por pura petulância aceitar a proposta. Assim, de uma hora pra outra, praticamente cospe na sua cara uma resposta SOLENE e ao mesmo tempo FÚNEBRE: “Tudo BEM. Então VAMOS TERMINAR”. Isso vem como uma flechada cortante ao coração. Significa que você tem que matar imediatamente todo aquele amor fulminante dentro de você e jurar que dessa vez ele morreu. Ou melhor, morreu PARA SEMPRE.
Em segundos, já não lembra mais que tem pernas, braços e sequer quais as funções dos mesmos. Flutua do carro até o portão de casa sem ver nem ouvir nada. A cabeça faz viagens alucinantes entre “que burra que eu fui ao fazer essa proposta estúpida” e “já que ele quer assim, então é assim que vai ser”.
O orgulho vai perdendo a voz conforme a saudade e o desespero aumentam. Aquele nó na garganta cresce conforme o movimento sorrateiro do ponteiro marcando o tempo. Sequer tem espaço para respirar. A dor emocional se materializa e se espalha no físico. As pupilas dilatam, as pálpebras incham, os olhos inundam e a boca seca. O ouvido só escuta as batidas aceleradas do coração, que nesse momento já subiu pra cabeça. A morte nunca pareceu tão perto. A dor no peito é tão forte, que o coração – que no passado já sucumbiu em chamas de delírio e amor - agora arde nas cinzas.
A ausência de um plano “B” e a inesperada aceitação da proposta goela abaixo é de tirar o chão. Você cai. E a queda sem fim nesse abismo parece doer mais do que propriamente o impacto no chão. É quase uma desintegração em queda livre. Até que você resolve se dar uma chance e se pendura no primeiro galho que vê pela frente, um amigo. Em segundos ele te encoraja, te dá força, chama pra sair, mostra que tem vida após a morte.
Daí, você só pensa NELE nos intervalos das risadas, nos intervalos dos programas e durante conversas entediadas. Suspira fundo querendo vê-lo na primeira oportunidade (pensa até em criar a oportunidade, planeja, simula, combina) e também de não vê-lo nunca mais.
Depois, começa a achar que tudo o que houve entre vocês foi ilusão e alucinação juntos. Tão sem importância que ele foi capaz de jogar tudo pra cima, ou melhor, de aceitar sua PSEUDO proposta de jogar tudo pra cima. Será que nenhum neurônio falou pra ele que você estava blefando????
E da forma inesperada como ele saiu ontem da sua vida, ele aparece hoje. Implora pra voltar. Aí você aproveita... dá aquela lição; fala tudo o que tem pra falar, morder e beliscar com palavras (ele nem revida). Em seguida, o cobre de beijos e reforça esse desmedido amor com suspiros, abraços apertados e cochicha no ouvido clichês apaixonados. Resolve tudo com o batido, eficiente e enxuto “te amo”.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

SAC, SIC, SACO!



Por Priscilla Rios

Quem nunca se irritou com aquela gravação dizendo “esse número NÃO EXISTE”, quando você sabe que EXISTE! Ou com aquela musiquinha que fica tocando incessantemente, quando alguém do outro lado da linha decide que vai te dar um chá de cadeira, ou melhor, de OUVIDO.
Na hora em que você mais precisa, quando vai utilizar aquele produto e tem uma dúvida, sempre existe o SAC - Serviço de Atendimento ao Cliente - pra te deixar mais irritado. Aliás, não devia chamar SAC, devia chamar SIC – serviço de IRRITAÇÃO ao cliente. Ou se preferir a denominação em English, SIC pode ser traduzido para DOENTE... DOENTE DE RAIVA!!
Você liga em um 0800 da vida, conta a mesma história dez vezes e eles terminam dando uma satisfação irritantemente educada, que não resolve em nada o seu problema e, se você tiver sorte, eles desligam. Se não tiver, eles jogam aquela famosa frase: “aguarde, vamos TRANSFERIR sua ligação”. E aí começa tudo de novo. APERTE 1 para xxxx, APERTE 2 para yyyyyy, (...) APERTE 15 para TENTAR falar com um dos nossos atendentes (rsrsrsrsrs).
Uma amiga, que divide a sala comigo, simplesmente falou com 9 pessoas do atendimento para tirar uma dúvida. NOVE, dá pra acreditar!? Isso significa que ela contou a mesma história – com direito a início, meio e fim – 9 vezes. Eles diziam, após ela contar a ladainha toda, que iam TRANSFERI-LA para o setor CERTO. Na nova vez, ela mudou o começo e o final da história. Ao invés de começar se apresentando, como de costume, ela jogou logo a pergunta: aí é o SETOR CERTO?? Senão nem começo a contar minha história! Para a irritação dela, dessa vez eles não transferiram a ligação e sim, passaram outro telefone pra resolver o problema.
Ela ligou no outro número e adivinhe, o cara falou: é lá no banco mesmo que a SENHORA resolve o seu problema, não aqui. Antes de desligar, ela perguntou: só pra saber, o tal setor que eles falaram existe mesmo? Ao que o cara respondeu: não SENHORA, esse setor foi extinto há algum tempo. Ou seja, a galera nem sabe que o setor não existe mais (tô bege!!!! Como diria uma outra amiga minha). Eu gostaria de saber então pra onde é que eles estavam transferindo a POx©∑×®©αβ∞ da ligação?!
O bom é que isso sempre vira piada. Aliás, se a gente se esforçar pra ver o lado bom de tudo, a vida vai ter muito mais graça. Em 2009, eu lhe desejo PACIÊNCIA, OTIMISMO, SAÚDE (don´t be SIC!), BOA VONTADE e principalmente BOM HUMOR. Cada um desses ingredientes na dose certa vai somar PROSPERIDADE e bons AMIGOS à sua vida.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Devaneios infelizes sobre a felicidade


Por Priscilla Rios
Até onde o ser humano se permite ser feliz?
Difícil responder essa questão sem entrar de cabeça em um devaneio profundo.
A gente acha que ser feliz depende apenas de fatores externos, mas não. Na maioria das vezes nós mesmos não nos permitimos vivenciar tudo o que sempre sonhamos. Como os pais, que ficam adiando “aquela” viagem por conta dos filhos pequenos e depois que crescem adiam porque não querem ficar longe dos netos e depois, porque se sentem velhos demais pra fazer esse “tipo de coisa”.
E qual namorado já não ficou emburrado porque a namorada passou a tarde longe e à noite quando ela quis ficar perto, ele inventou um programa igual, só pra dar o troco na mesma moeda?! Pra que simplificar se a gente pode complicar né?
E quando o final de semana está chegando ao final, o Fantástico já está no ar, e a gente já começa a entrar em um clima de ansiedade e agonia porque vai começar tudo de novo. Bobeira, claro! Mas, levanta a mão quem nunca sofreu de véspera.
E quando a gente programa cada milímetro do feriado e no final todo mundo fura e você fica se sentindo um lixo. Ao invés de partir pra outra, a gente enumera os culpados e fica remoendo aquilo até aparecer alguma coisa realmente interessante pra fazer.
Isso sem falar quando tudo vai bem: o trabalho, o relacionamento, os amigos, a família - acredite existem dias assim – mas você acha que está faltando alguma coisa, reclama e no final arranja um jeito de terminar o dia triste, se sentindo culpado por reclamar de barriga cheia. Ou pior, sente aquele frio na barriga básico de que quando tudo está muito bom algo ruim vai acontecer em seguida e, claro, fica maquinando as “n” possibilidades do que pode dar errado. Doideira, alucinação. Eu sei.
Desfrutar a felicidade sem culpa do que os outros vão pensar ou invejar e, principalmente, sem medo é algo tão ou mais difícil do que conquistar a felicidade. Talvez por isso é que no final nos restam apenas a soma de momentos felizes, e quase nunca, dias inteiros de felicidade.