quarta-feira, 9 de junho de 2010

Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história

terça-feira, 4 de maio de 2010

A Saga das Grávidas - parte 2 - 20 cm de paz


Por Priscilla Rios
Viver as coisas simples da vida, isso sim que é luxo.

Ficar de bobeira sentindo a plenitude da cabeça fresca, olhando os garnizés ciscando, o sabiá elaborando estratégias para quebrar a castanha, meu cachorro procurando o melhor lugar para enterrar seu tesouro, e de quebra ter a tranquilidade para ouvir o vento chegar de mansinho nas folhas da parreira de uva e embalar a rede.... Foi preciso chegar a exaustão para saborear tão intensamente essa paz.

Divagando um pouco (cá com os meus gerúndios foras da lei), pode ser que essa sensação de plenitude venha do momento “nave” em que estou vivendo, carregando 20 cm de vida dentro de mim. E quando sinto esses 20 cm mexendo chego a prender a respiração porque tudo para (pára – aos mais apegados) a minha volta. Ao mesmo tempo tudo ganha um “para que” = uma utilidade, uma razão.


Tenho seguido uma trilha de 9 meses rumo a felicidade, a emoção da chegada ainda é um mistério para mim. Como criança só sei o que me dizem que é. E poucas mães viajadas conseguem materializar em palavras a intensidade abstrata do sentimento pós parto. As descrições vagueiam em adjetivos batidos que não acham complementos à altura, as repetições tentam enfatizar o ineditismo do momento em que a nave se abre e ouve-se o primeiro choro. Tudo parece mesmo de outra dimensão. Por isso ando com os pés na lua, a cabeça nas nuvens e com um pequenino terráqueo a bordo.. lá dentro ele muda a marcha dos meus sonhos, planos e da minha definição de paz.

domingo, 11 de abril de 2010

A Saga das Grávidas – parte 1 - Acorda um prego quem não prega os olhos


Por Priscilla Rios

4h da manhã. Meus olhos não abrem nem com reza brava, mas seu eu não levantar o xixi vai ser na cama. Resisto mais um pouco para ganhar uns minutinhos de sono. A bexiga aperta e eu me rendo, levanto. Minutos depois me arrasto de volta e a boca seca exige que eu brinde a plenitude da bexiga vazia com um contraditório copo d´água. Deito. Lá vem a pressão de sempre: se eu não dormir em 15 minutos esse copo d´água pega um atalho pra bexiga de novo numa velocidade que só as grávidas conhecem. Aperto os olhos exigindo o sono sagrado de volta, mas nada prega os olhos. Na cabeça circula uma fila de coisas para fazer quando o garnizé cantar, seguido de uma ideia descabida: sair do quentinho da coberta e passar frio em busca de uma caneta, senão eu durmo em 20 minutos e a parte 1 dessa saga dorme comigo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Está provado: em boca fechada não entra mosca


Detesto quando eu simplesmente falo sem pensar. Quando vejo já saiu! Aí o arrependimento é tão fino e doído como uma agulha. Vai direto no peito. AI!!!! EU E MINHA BOCA GRANDE!!! E essa mesma boca grande passa o dia todo remoendo desculpas lavadas e salivadas.

terça-feira, 2 de março de 2010

CONFIDENCIAL (FRÁGIL! ESSE LADO PARA CIMA!)

Por Priscilla Rios

O que eu adoro nas minhas amigas são os planos. Elas estão sempre tramando alguma coisa, sempre com uma estratégia em mente. São verdadeiras atiradoras de elite, não saem gastando cartucho à toa. Trabalham feito condenadas, o salário paga as contas e os excessos, os garotos com quem elas fazem planos são estudados e analisados - não tão secretamente assim - por toda a equipe e passam por vários testes ultra-secretos. Elas são especialistas na arte da persuasão, sabem técnicas altamente elaboradas de atuação (bico, choro e cara de triste), podem ser o que elas quiserem, o problema é decidir o que elas querem ser..


O relatório completo do garoto corre em redes confidenciais, é impresso, deletado do sistema e enfim armazenado na gaveta mais alta da cômoda. Aquelas que nenhum santo ajuda alcançar. Quando o caso é encerrado, a equipe se reúne pra dar apoio e cavar falhas que passaram ilesas no relatório. Nesse meio é preciso ser forte, saber lidar com os fracassos e ter faro para resolver os seus casos. Se tem boi na linha mela o esquema, já diz a lógica: o casal são 2 e não 3. A prioridade da missão é não perder o entusiasmo nem a auto-estima. E os dois maiores perigos ao pegar um caso é cultivar com todas as suas habilidades 007 (conquistadas com treinamento e anos calejados) a confiança e a cumplicidade. Se elas quebrarem, o caso já era. Por isso vale a pena adesivar a fragilidade da mercadoria e torcer pra que ao final de uma vida ela ainda esteja lá, intacta ao seu lado, com a vantagem de não ser mais tão frágil e com o bônus de curtirem juntos a aposentadoria.