quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bastardos Inglórios

Por Priscilla Rios

Fora os conhecidos, tem os bastardos que a gente nem imagina. Conversando com uma amiga refleti o seguinte... (deixe o mel ao lado para adoçar a boca no final, porque ou você vai ficar com a língua amarga ou com a pulga atrás da orelha.. e se ficar, espero que pulga goste de mel)...

Até que ponto as pessoas são o que achamos que são? Diariamente rotulamos pessoas em boas e ruins a partir da leitura de suas características. A resposta é uma via de mão dupla, afinal assim como a pessoa pode nos manipular mostrando apenas as características que lhe convir, também somos nós auto-manipuláveis ao enxergar apenas o que queremos em uma pessoa, ainda que ela tenha atitudes suspeitas ou contraditórias.

Prontas para dar o bote, esses seres abomináveis das neves distribuem sorrisos meigos, fala mansa, apertos de mão forte e rugas de seriedade. Longe dos holofotes da verdade eles armam arapucas, intrigas, colocam amigos contra amigos, pais contra filhos e filhos contra pais. Nada sobra. Os bastardos inglórios estão a solta destruindo lares, confianças, empresas, amizades e famílias. Sujeitos bem apessoados que dizem o que você quer ouvir, e se acharem que vale a pena chegam a construir uma história de vida contigo - ainda que leve décadas -, se no final puder sacar o grande prêmio. Ganhar de você na loteria.

Seduzido, você pode até casar de papel passado com a ideia da pessoa. Anos depois quando ela se rebelar perde as calças, o dinheiro, a confiança, a auto-estima, os negócios talvez, e a noção de em quem confiar. Ficamos com as sobras de nós mesmos. Em trapos e em frangalhos.

Depois de calejados com as tramoias desses bastardos, fica o calo em forma de prejuízo físico e emocional e a lição curta e grossa. Até o ponto final dessa história você deve estar mais amarga e mais contida, mas está mais forte. Toda a merda serviu para adubar a terra, e ainda será possível colher flores na vida.(E vejo flores em você...)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Meu pinguinho de gente


Por Priscilla Rios

Nasceu. Tudo mudou. Os horários, as cores, as roupas, a alimentação, o tempo. O ar cheira a flor de laranjeira. O medo transpira bravura. O corte do cordão umbilical é só o primeiro laço que sentimos apertar no peito. E esse laço vai ficando mais justo no primeiro chororô, no primeiro sorriso, no primeiro bico, no primeiro segurar de dedos.

Seus olhos arregalados me dizem tudo o que sempre quis ouvir e seu bocejar traz uma paz que vai de uma porta a outra da casa. Se há chuva na janela, é poesia. Se há sol, é música. Há um novo sentido no revoar da cortina dançando com o vento e no orvalho que repousa na grama.

Sigo andando pela casa e meus passos já não pertencem a meus pés, caminho com o coração.

Cheiro a leite o dia todo e me orgulho de ser o seu perfume preferido.

Agora se respiro fundo é só pra você ouvir minha respiração e dormir melhor. O seu sono é a minha paz e o seu despertar é a minha força.

sábado, 25 de setembro de 2010

Perguntas franzinas e respostas caducas


Por Priscilla Rios

A certeza das coisas nos faz sentir seguros, confiantes, mas saber para onde o vento sopra requer vivência e vivência não tem nada a ver com estabilidade. Olhando de dentro para fora, às vezes existe a ilusão de que todo mundo tem as respostas a indagações básicas (porém nada simples), menos você.

São indagações profundas como: 'o que eu quero da vida', 'qual a minha missão nesse planeta', 'o que me faz genuinamente feliz?' Incomodados com a ausência de respostas no presente, começamos a pirar no futuro mais que perfeito com questões como 'o que será de mim daqui 5, 10 ou 20 anos?'

Essas perguntas no início incomodam, vez ou outra tiram o sono, um dia viram lágrimas e no outro são queixas. Elas até parecem insignificantes quando ditas em voz alta, o que te faz sentir ainda menor e mais sem propósito.

O que fazer?? Sentar em cima das perguntas e fingir que elas não existem ou levar elas para a cama comigo e compartilha-las com minha insônia. O maior curioso é que por trás dessa máscara de inimigas do bem estar e do atalho para a satisfação e plenitude, essas indagações são nossas amigas. Elas nos levam a refletir sobre nós mesmos, desbancando-nos do alto do nosso conformismo. São elas que nos empurram para frente, que nos forçam a tomar uma atitude, a fazer escolhas e decidir nossos caminhos pessoais e profissionais. Nossas aliadas no progresso e na evolução mental, física e espiritual.

É claro que o comodismo é pesado o bastante para tentar se impor e ele faz “picuinha” na nossa cabeça nos colocando contra nossas indagações. As vemos como vilãs que não nos deixam ter um minuto de descanso e que nos colocam o tempo todo numa sinuca de bico. O esperto do comodismo também nos faz sentir incompetentes em colher as respostas do 'pé da sabedoria' (uma árvore frondosa cujo fruto não é para o nosso bico).

Para nosso alento, seguimos nossos caminhos incertos, certos de que a lenda de quanto mais velhos e encurvados ficamos por fora, mais altos e fortes ficamos por dentro.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Saga das Grávidas - parte 7 – Aos 28 e 9 meses

Por Priscilla Rios

Chegar aos 28 com a benção de exibir por aí uma barriga de 9 meses é sem dúvida a realização de um sonho para mim. Claro que o milagre da vida segue acompanhado de uma responsabilidade 10 kg mais pesada: tomar decisões de gente grande a partir de agora, afinal definitivamente não sou mais a criança da casa. Se é bom ser adulto?? Ainda estou experimentando. Mas apesar da consequência dos meus erros daqui para frente não refletir somente em minha vida, sinto que o sucesso também será muito mais recompensador.

Como mãe de primeira viagem, ainda estou elaborando a minha receita de bolo perfeita... as linhas sinuosas do imprevisto, o esforço dobrado, os sacrifícios feitos sem cobrar nada em troca e as gratas surpresas da maternidade serão certamente o recheio dos próximos 30 bolos em que eu acender velinhas na minha vida. Lógico, quem as apaga não sou mais eu.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

“É preciso saber viver........ toda pedra no caminho você pode retirar...”


Imagem: Josias de Souza

Por Priscilla Rios

Ouvi uma vez: “uma pessoa só tira sua paz se você permitir isso”. Quando éramos crianças ou adolescentes não tínhamos vergonha de dizer NÃO. Pelo contrário, dizíamos não para tudo, sem titubear. Depois de virar gente grande (adultos rsrsrsrs) nos apoiamos em desculpas como “aceitei por educação” e dizemos SIM para coisas que queremos dizer não. Talvez por sabermos que dizer não significa desapontar algumas pessoas, ou quem sabe porque dizer não pode nos rotular como incompetentes. Acabamos pegando desde um trabalho em que não vamos lucrar seja em conhecimento seja em dinheiro, ou mesmo permitindo abusos e ofensas de gente mal educada. Dê uma basta nisso. Essa tolerância permissiva diminui e te distancia do seu potencial. Acaba sendo um atalho para nos transformarmos em um puxa saco de primeira. Ainda temos a capacidade de posar de vítima da situação, porque você não podia dizer não para 'seja lá quem pediu'. É preciso ter em mente que se está recusando o pedido e não a pessoa. Ponha as coisas na balança, veja o que realmente vale a pena e aprenda a viver para você. Se colocar em primeiro lugar não é egoísmo é obrigação.