sábado, 6 de dezembro de 2008

Corações saem pela boca quando suspiram...


Olho ao redor e vejo pessoas perdidamente apaixonadas. Percebo que apesar das diferenças de gostos, estilos de vida, modo de pensar, elas ficam exatamente iguais quando o assunto é “ele”.


Os sintomas são tão aparentes como os olhos, transparentes de amor.


A dor de barriga, acredite, é um dos sintomas do amor.


Ela entra no msn e derrepente do “online” ele muda o status para “volto logo”. Ela automaticamente deduz que depois daquele encontro - duas semanas atrás - ele só pensa em fugir dela. Resultado: dor de barriga.


Volta do banheiro com cara espremida, igual o coração. Pequenininho, pequenininho.


Volta para o computador e segundos depois testemunha ele ficar online de novo. Na hora ela emenda. “Ufa! achei que fosse dor de barriga, era só uma dor no estômago”. Tradução: “ufa! Achei que ele estava fugindo de mim. Ele só tinha ido ao banheiro.”.


Esse tipo de coisa acontece o tempo todo no amor.


A outra colega, super da vibe, cantarola músicas que num passado recente odiava como o sertanejão “eu sei de tudo o que passa nessa tua vida, eu sei que assim como eu você não está feliz...”. enquanto canta, lembra um pouquinho dele. Em seguida, lembra um pouquinho dele e canta. Segundos depois, o cérebro dela já associou a música e o sertanejão vira ele em pessoa. Só de ouvir, quando está sozinha, ela começa a chorar. Num momento de fragilidade ela manda mensagem. Ele não responde.


No dia seguinte ela chega ao serviço toda arrumada, pra provar a ela mesma o quanto é linda, mas está destruída em pedacinhos por dentro.


O celular toca, músicas alegres. Ela atende na eterna esperança de ser ele. Passa o dia todo assim. Quando o silêncio na sala é tão alto que ela é capaz de ver com clareza o que sente por ele, começa a cantarolar de novo. A mesma música. Ele.


Em resposta a mensagem, ele liga um dia depois. Fala da vida, dos problemas, comenta as atitudes, revela sonhos. Ela do outro lado da linha se esparrama na cama e absorve a tudo com sorrisos eternos grudados na cara. Em momentos mais aflitos da ligação, anda de um lado pro outro enquanto conversa tentando pensar e dar como resposta imediata o que ele precisa ouvir.


Ele desliga, ela suspira.


Eles nem imaginam o tamanho do amor que elas sentem. Por que o amor contagia o ego. E o ego só não fica maior do que o próprio amor. Varia entre “eu sou do tamanho do mundo” e momentos de quase humilhação do tipo: “me ame do jeito que eu quero, por favor.”


O pior do amor é que você passa por tudo isso consciente. Vê os fatos e os transforma em coisas maiores, menores ou até finge que nunca existiram que é pra continuar saboreando a delícia de conversa daquela última saída juntos.


Você não tem o compromisso de ligar de novo, nem ele. Essa é a regra do início. Mas e quando não passa do início nunca e você pega o telefone várias vezes pra ligar à noite? E quando entra no msn só pra ver se ele está online, sem falar nada com ele o dia inteiro, mesmo que tenha frases prontas entaladas na garganta em formato de coração? E quando finalmente vê ele de novo, de perto, e finge ser outra pessoa, aquela amiga de sempre, quase desinteressada nele, mas não muito! Senão ele se desinteressa de você. Então você reata aquelas conversas de sempre, porque o “novo” você já sente há tanto tempo que perdeu o sentido de ser dito. Compartilha com ele as mesmas risadas. Começa a admirar coisas porque sabe que ele também iria gostar. E nessa ilusão de ver ele antes mesmo de você, acaba sendo ele 24 horas por dia e, apenas, uma imitação de você quando está com ele.

2 comentários:

Anônimo disse...

Pri,

Eu tenho uma amiga assim...rsrs
essa história me fez lembrar muito dela que está bem pertinho da gente..rsrs

Bárbara disse...

Gostei muito desse texto. Muito.